quinta-feira, 31 de outubro de 2024

32° DIA

O uso da droga como compaixão. Vício para esquecer de si. Vício para lembrar de si. Necessidade contraditória: é ruim, é bom, é ruim/bom, é bom/ruim. Uma compaixão que constrói. Uma compaixão que destrói. Situação paradoxal. Uma situação inevitável e incontornável da condição humana. 

O ser humano não nem bom muito menos mal. É uma combinação articuladas entres as duas coisas. A compaixão é uma filosofia prática e uma prática da filosofia. Ela mantém os indivíduos conectados por laços sociais de interdependência que costumamos chamar de sociedade, contexto, amigos, colegas, cidade, bairro, família, trabalho etc. 

Existe infinitas possibilidade de representar os "laços de compaixão" que produz e é produtora de pessoas. A droga é só mais uma possibilidade que se encontrar dentro e a partir do devir humano. Precisamos viver, viver é preciso. A droga é uma compaixão. E isso, não pode ser confundido com preconceito, marginalização e estigmatização do usuário. As pessoas procuram pelas drogas devido ao potência de compaixão que ele carrega. Ou seja, a potencial de encontrar satisfação em continuar existindo. 

quarta-feira, 30 de outubro de 2024

31° DIA

 A droga como apego. Como um processo de dominação social, psicológica e química. A dominação como a imposição de uma vontade externa sobre o comportamento. Funcionando como um poder, influência sobre neurônios, sentimentos, ansiedades e necessidades de pertencimento e reconhecimento social. 

A dominação é uma forma de coação que se impõem sobre as pessoas. Como um processo de controle e disciplina de corpos e alma. A droga é uma dominação dupla: externa e interna. Externa porque é oferecida pelo contexto. É utilizada. Dá a "onda". São processos complexos de apegos que a droga cria. A droga é interna porque afeta a experiência subjetiva do usuário. Um encontro consigo mesmo. Uma adição de substância que alteram movimentos, percepções e comportamentos. 

Em resumo, uma forma de dominação. Isso não é necessariamente bom ou necessariamente ruim. São modelos de comportamentos sociais distribuídos pelo mundo social. Uma forma de jogo de cartas distribuídos entre jogadores com diferentes objetivos e interesses no jogo. Porém, são obrigados a jogar. Isto é, (des)ajustar o seus comportamentos conforme o desenvolvimento e desenrolar do jogo. A sociedade é constituídas milhares de possibilidades de comportamentos e práticas sociais. A droga é mais uma carta no jogo de baralho. Porém, na escala de legitimidade da dominação social, o seu uso é visto de forma estigmatizada e estigmatizante. Em algumas situações, os usuários que são estigmatizados na mesma proporção que estigmatizam. É um duplo processo de dominação. Porém, o enigma entorno do uso de drogas continua operando a partir de signo de negação e da falta. Não sei, como resolver isso. Mas, não quero parar de tentar desvendar o enigma da drogadição. 

terça-feira, 29 de outubro de 2024

30° DIA

 A droga como uma instituição social. As instituições são práticas culturais relativamente estruturadas que organizam a ação humana em determinado contexto social. Dessa forma, a droga opera a partir da lógica social da socialização de agentes, instituições e institucionalidades. Interesses, comportamentos e vontades motivadoras do uso ou abuso. 

As instituições sociais foram criadas e desenvolvidas pelos seres humanos com o objetivo de mediação entre estruturas sociais e estruturas mentais. A mediação é marcada por conflitos, negociações, trocas, guerras e pacificações. O ser humano vive e é parte das instituições que governam suas ações. Somos sujeitos e objetos institucionalizados. Para o bem e para mal, agimos socialmente de acordo com desejos e necessidades oferecidos pelo ambiente social por onde circulamos nossos corpos. Somos causas e efeitos das instituições sociais que nos atinge. Corpos (des) institucionalizados. Corpos (des) controlados. Corpos (des)drogados. 

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

29° DIA

 O uso da droga como situação. Como uma contingência moderada e abusiva. Comportamento humano orientado para a transgressão da rotina ditada pelo ritmo da produção capitalista: dinheiro pelo dinheiro; droga pela droga, vício pelo vício. Estamos presos as engrenagens das classes sociais e suas expectativas de mobilidade social. 

O efeito da droga é algo produzido por situações contingências que, ora reforçam o sistema, ora questionam. É uma situação paradoxal de uso e abuso de drogas. Quero sair ao mesmo tempo em que quero continuar. Assim como a vida de qualquer ser humano que tenta desvincular de dores e sofrimentos inalienáveis. O sofrimento também é uma situação contingencial. Surge fora das consciências individuais. Atingindo as pessoas por dentro. A droga é uma situação contingencial. Surge foras das consciências individuais. Atingindo as pessoas por dentro. Seja o sofrimento ou a droga, ambos, produzem abusos. Talvez, precisamos desapegar das duas coisas. 

domingo, 27 de outubro de 2024

28° DIA

 A abstinência obriga a prática cotidiana de estudos e reflexões. Não busco pela verdade, busco por compreensão. Por isso, esse aforismo é uma citação de Walter Benjamin sobre o uso de haxixe. Porém, pode ser generalizado para o uso geral de drogas: 

“a investigação mais apaixonada da embriaguez produzida pelo haxixe nos ensina menos sobre o pensamento (que é um narcótico eminente) que a iluminação profana do pensamento pode ensinar-nos sobre a embriaguez do haxixe. O homem que lê, que pensa, que espera, que se dedica à flanêrie, pertence, do mesmo modo que o fumador de ópio, o sonhador e o ébrio, à galeria dos iluminados. E são iluminados mais profanos. Para não falar da mais terrível de todas as drogas – nós mesmos – que tomamos quando estamos sós”. Walter Benjamin


sábado, 26 de outubro de 2024

27° DIA

 O uso da droga como memória. Uma forma de organizar o passado no presente a partir de experiências recreativas e abusivas. Somos criaturas da memória devido à capacidade de criar e viver eventos significativos e com significados a partir do uso de substâncias que mantêm os neurônios ativos, alegres, felizes e aliviados. A droga como memória de acontecimentos, eventos e situações. Como horizontes de expectativas crescentes e decrescentes. Uma ação humana criativa. Memória incorporada. 

A memória é uma relação social porque nos remete a contextos de interações sociais. Momentos entre amigos, familiares, com conhecidos ou desconhecidos. A droga como lembrança da promessa de uma boa vida ou do seu contrário. 

sexta-feira, 25 de outubro de 2024

26° DIA

 A droga como corpo. Como incorporação de hábitos e práticas sociais conscientes e inconscientes. Da droga se fez corpo. E do corpo se fez a droga. Uma relação dialética. Constituída por contrastes, contingências e contradições. Algo, que reflete no corpo. O corpo como um processo social relacional. Feito de relações sociais de produção e consumo de corpos e drogas. O corpo não é somente uma materialidade. Ele é simbólico. Representado a partir de um contexto cultural. A droga não é somente uma materialidade. Ela é um efeito simbólico. Que tem o poder de expandir as representações corporais. A química que age sobre o corpo. Modifica hábitos e comportamentos: uma necessidade básica da socialização humana. O corpo que age sobre a química. É um corpo que procura se defender: uma necessidade de defesa imunológica. Somos corpos consumidos. Somos drogas representadas. Somos drogas consumidas. Somos corpos representados    

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

25° DIA

 A droga como uma forma de conhecimento. Uma possibilidade de descoberta de outras realidades a partir de mudanças neuronais e reconfigurações mentais. Conhecimento necessário a descoberta de si e dos outros. Conhecendo o mundo que habita em mim e o eu que habita no mundo. Uma caminha por labirintos sociais, vícios e comportamentos. Conheça-te a ti mesmo. As pessoas precisam encontrar suporte para ancorar sentidos e significados a vida. A rotina. A experiência. A droga é uma fonte de inspiração. Um convite a percepção que obriga o cérebro a driblar as contradições que afetam os seres humanos. Conhecer os próprios limites ou ter limites próprios. É algo que está ao alcance do usuário. É algo que está ao alcance do humano. Temos a capacidade de aprender e ensinar práticas, comportamentos e pensamentos que contribuem para um mundo, onde o sofrimento seja administrável. Seja pelo controle, disciplina, cultura, sociedade ou pela química. Não podemos deixar de buscar por aquilo que nos difere dos outros seres vivos: a capacidade de conhecer, aprender e ensinar.    

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

24° DIA

 O uso da droga como paradoxo da paixão. Um risco não necessariamente racional ou calculado, mas vivenciado a partir de experiências de sentidos e instintos. A necessidade de usar substâncias que alteram o estado de consciência, mesmo que signifique, em alguns casos, a perda de sentidos. O paradoxo é sentir prazer, alegria e euforia e, posteriormente, dor, tristeza e ressaca moral. Nesse sentido, usar drogas é uma contradição porque não resolve e nem piorar, a curto prazo a vida do usuário. Pelo contrário, a ilusão de felicidade faz brilhar a vontade de usar. Porém, a saúde, a longo prazo pode vim a degradar-se. Seja por um processo biológico, acerelado pela química. Mas, vale a pena a curto prazo. Porém, não é totalmente seguro e saudável. A droga e o usuário fazem parte desse paradoxo. Alimentando as contradições sociais e contradições inerentes a existência ou experiência humana. 

terça-feira, 22 de outubro de 2024

23° DIA

 A droga como um sintoma. Longe de manifestar aspectos individuais, a droga é um sintoma da cultura. Para alguns, o mal-estar da cultura. Um mal-estar da civilização. Porém, o bem-estar produzido pela droga é fantástico. Desde a utilização de fármacos, drogas para aliviarem dores, tratamentos de doenças mentais e transtornos. O sintoma é uma característica de se manifesta de fora para dentro, e de dentro para fora. Ou seja, é um duplo sintoma da individualidade e coletividade respectivamente. A humanidade ainda não conseguiu dar uma resposta ao consumo de drogas. O que encontramos são estudos sobre sintomas e suas consequências para as sociedades e grupos sociais. Em termos éticos, nós seres humanos buscamos por prazer para aliviar o sofrimento e o sofrimento é aliviado com o prazer. A liberdade é um direito humano básico: um sintoma básico da vida em sociedade. Aqui, utilizo o termo de sintoma diferente da psicologia e psicanálise. 

Gostaria de pensar um sintoma como um arranjos e rearranjos de ações humanas e estruturas sociais. No sentido, de uma eficácia simbólica. A drogadição é um sintoma da civilização, assim como, a abstinência é um processo cultura de incorporação de consciência, prática e comportamento. A contradição está no mundo social. A contradição está no ser humano. Precisamos aprender a conviver com isso.  

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

22° DIA

 A droga como um contexto. Algo que funciona pela e através de laços sociais e interações face a face. Um contexto que favorece ou desfavorece o uso de drogas. Vontade individual impulsionada ou disciplina da pelo social. O contexto pode ser entendido como forças sociais conscientes ou inconscientes que atuam sobre o comportamento, ação e agência humana. Funcionando como uma estrutura que organiza a ação, porém, não que não tira do usuário a capacidade de agir. Neste sentido, o uso da droga é uma estruturação: estrutura + ação; contexto + uso. 

domingo, 20 de outubro de 2024

21° DIA

 A droga como raiva. Possibilidade de insurreição contra a ordem real que se impõe de forma opressiva. Ou energia gasta de forma inútil em projetos individuais ou egoístas que mantêm o usuário preso a sofrimentos e traumas do passado. Alívio diante a raiva do presente. Futuro a ser construído. Nada é permanente. Tudo muda. Raiva, frustração e sofrimento. Vício elegante. Vício degradante. Vício raivoso. Energia gasta em processos individuais de emancipação. A droga como insurreição contra uma realidade. Situação de desamparo. Solidão. Depressão. A raiva é aliviada com o uso da química. Afeta o psicológico. O social continua a ressoar por entre os escombros da drogadição. Podem os escombros construírem algo diferente da miséria humana? O que posso aprender com a experiência da raiva? Tanto dos escombros e a raiva refletem os limites da condição da pessoa. 

sábado, 19 de outubro de 2024

20° DIA

 A droga como resposta a angústia. Tentativa de poder e frustração. Angústia que não para. Não passa a angústia. Vício que corrói a confiança. Quebra de decoro. Necessidade de contornar traumas. Necessidade de contornar a abstinência. A angústia em estar vivo. A droga como resposta à fragilidade da existência. Tempo e espaço que se dilatam. A resposta que não chega. O vício sem controle. A personalidade que deseja ser compreendida. Compreender personalidades ou não compreender. O direito da dúvida. O privilégio de observar. Tentativa de encontrar algum sentido no meio de tudo isso que chamamos de droga.

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

18° DIA

 A droga como vínculo social entre pessoas, contextos e objetos. Os vínculos são construções sociais construídas ao longo de processos de interação. Os seres humanos diferem dos outros animais pela capacidade de criar vínculos sociais carregados de sentidos culturais e simbólicos. Só viver na natureza não basta aos humanos. Precisamos da cultura para preencher os vazios e ocupar os espações da existência. Somos criaturas condenadas ao vínculo. Precisamos de outras criaturas sociais para desenvolver nossa identidade, reconhecimento e noção de pertencimento. A droga oportuniza o vínculo humano. Aumenta ou diminui a potência da vida ou morte É um vínculo contraditório. Porém, não é diferentes dos outros vínculos que um ser humano constitui ao longo de uma vida. Somos criaturas sociais carentes por vínculos, atenção, reconhecimento, pertencimento etc. A droga é uma ferramenta que potencializa ou despontecializa a capacidade e necessidade de estabelecermos vínculos sociais. 

quarta-feira, 16 de outubro de 2024

17° DIA

 As drogas são pessoas e subjetividades. Pessoas e subjetividades são as drogas. O ser humano não deixa de ser humano ao fazer uso de substâncias psicoativas. Isso ocorre desde os primeiros passos da humanidade sobre o planeta. O que precisamos compreender ou tentar compreender é a complexidade da relação que humano estabelece com as representações subjetivas que faz de si. Ou seja, de sua personalidade, identidade, pertencimento, autenticidade, liberdade, desejo, alegria, satisfação, tristeza, prazer, dor  e etc. Dentro dessa complexidade a droga não pode assumir o lugar das pessoas. Afinal, quem faz o uso é a pessoa. Ela é sujeito da sua condição. É preciso considerar este aspecto básico da socialização com a droga. Os seres humanos criaram as drogas. E o contrário não é verdadeiro. 

Nesse enredo, a criação não supera o criador. As pessoas e suas subjetividades estão imersos em diferentes contextos de diversidades e desigualdades. O que produz diferentes experiências em relação ao uso de drogas. O que podemos perceber é que os padrões de comportamentos refletem condições sociais. Como classe, gênero, raça, escolarização, ocupação etc. O que também acabam reproduzindo outros marcadores sociais mais ou menos marginalizados. Mais ou menos estigmatizados. São processos sociais amplos e complexos. Formados a partir de redes sociais de interdependência de obrigações e contra obrigações. Nós, seres humanos, somos sujeitos da história. Orientamos nosso comportamento de acordo com circunstâncias que não necessariamente controlamos. Somos também governados por forças inconscientes. Porém, seria ingênuo, descartar a potencialidade e criatividade do agir humano que desde sempre se supera e propõem novas situações a partir de contextos aparentemente perdidos. Por isso, acredito, que precisamos se perder para conseguir encontrar por saídas. Procurando pelo devir. 

terça-feira, 15 de outubro de 2024

16° DIA

 O uso da droga como ritual. Prática de contemplação. Encontro consigo mesmo. Encontro com outros imaginários de mim mesmo. Dispersão de sentido. Síntese de sentimentos. Buscar por sentido na perda de sentido do real. O simbólico e o real interdependente a partir de uma substância. Conexão entre pessoas. Esquecer miserabilidades inevitáveis da condição humana. O ritual como prática cultural que escapa a lógica da racionalidade. Oferecendo os seres humanos outros múltiplos de si mesmo. 

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

15° DIA

 A droga como uma tecnologia. Possibilidade de criar eventos artificiais a partir de experiências reais. Criatividade humana para desenvolver ou ampliar o poder de agência do sujeito sobre o mundo social. Tecnologia em quanto ferramenta química que altera o funcionamento biológico do corpo oferecendo uma continuidade e descontinuidade do social. Tecnologia de quebra da rotina. Tecnologia de compensação.  Criação a partir de doses, porções, gramas e cartelas. O ser humano ao longo da história criou e aperfeiçoou tecnologias com o objetivo de dar um sentido ao mundo. De criar um mundo com sentido. A droga vista a partir desta perspectiva, é fruto de relações humanas historicamente construídas. As mudanças tecnológicas acompanha as mudanças no mundo da droga: uma tecnologia por excelência. Os impactos sociais são medidos a partir do microssociais, quando relações sociais são tensionadas. Quando avaliamos os comportamentos disruptivos causas pela utilização da tecnologia. E macrossociais. Quando observamos as redes de distribuição e os movimentos culturais que acompanham a história social da droga. 

domingo, 13 de outubro de 2024

14°DIA

 O uso da droga revela um dos lados sombrios da condição humana: a necessidade de explorar os limites da existência. Alimentando o sentimento de morte. A pulsão que não cessa. Ação deliberada ou inconsciente de demônios internos que orbitam as camada subterrâneas da psique humana. Condição individual de sabotar a própria condição. Humano, demasiado o humano que fleta com abismos incontornáveis da existência. Drogas, vício, dependência, niilismo recreativo. Necessidade da alma. Esclarecimento da realidade. A ironia é que ao lado do lado sombrio habita o lado iluminado que clama por mais vida. 


sábado, 12 de outubro de 2024

13° DIA

 O uso da droga com uma consciência. Uma consciência de si mesmo através da drogadição. A necessidade de mudar a perspectiva da própria consciência. Aliviar as tensões sociais transmutadas em tensões mentais. Acessar uma consciência tranquila, saborosa e pacificadora de ser quem é. Uso continuo de uma necessidade de ser transportado para outros estágios do pensamento. Vício de mudar o estado da realidade de forma química, biológica e social. A droga tem um papel da pacificação momentânea de uma ordem social e psíquica. É possível encontrar outras formas e conteúdos para modificarmos a consciência. O ser humano precisa ser criativo e encontrar seus pontos de fugas. 

sexta-feira, 11 de outubro de 2024

12° DIA

 A droga como vida. Possibilidade de cura. Diminuição do sofrimento. Uma forma de um encontro consigo mesmo. A vida que acontece entre acertos, erros, planejamentos e improvisos. O uso da droga como uma forma de pacificação de conflitos internos, inflamados pelas crises externas. A necessidade de ter um alívio diante as demandas da sociedade. 

quinta-feira, 10 de outubro de 2024

11° DIA

 A droga como uma contradição. A saúde e a doença são interdependentes. A quantidade e a qualidade da dose influencia no bem-estar e no mal-estar do usuário. A quantidade da droga utilizada aumenta o prazer e diminui a dor. Ou, pode diminuir o prazer e aumentar a dor. A qualidade do produto pode causar viagens e vertigens emancipatórias. Ou, podem prejudicar a orientação da condução de uma vida. Dessa forma, o vício pode tornar -se opressivo. São contradições inevitáveis do uso de droga. A drogadição é um comportamento contingencial: incoerente, coerente, faz bem, faz mal, prazer, dor, saúde e doença. Por fim, ambíguo. 

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

10° DIA

 A droga como possibilidade de morte. Ou, adiantamento dela. Flete com o fim. Adoecimento assistido. Política da morte. O uso de substância que pode causar dependência fatal. Necessidade de entorpecimento, adoecimento e padecimento. Os números de mortes causadas de formas direta e indireta estão documentadas. A droga faz adoecer. E o quadro clínico pode vir a evoluir para óbito. O usuário fleta com a morte ou mesmo tempo que fleta com o vício e prazer. 

terça-feira, 8 de outubro de 2024

9° DIA

 A droga como uma ação social. Carregada de sentido. Comportamento orientado por tradições, valores e racionalidades. Ação social tradicional orientada por costumes da sociedade e influenciados pelas tradições locais. Droga é uma ação sociais racional em relação a valores. Comportamento orientado pelo sentimento de grupo. Solidariedade ao vício socialmente compartilhado. Sentimento de integração ao grupo. Possibilidade de encontrar sentido a determinado contexto de interação. O uso da substância psicoativa. também é uma ação social racional em relação a fins. Relacionada a necessidade de aumentar a produtividade ou diminuir intencionalmente o ritmo da vida. Possibilidade de produz racionalmente uma descontinuidade do mundo da produção focando no mundo da vida. 

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

8° DIA

 A droga como um fato social. Representando formas de agir, pensar e sentir. Fenômeno essencialmente social, a droga se impõem sobre as consciências individuais. Exercendo influência sobre práticas e comportamentos sociais. Ela é coercitiva. De modo que, possui um tom obrigatório para o usuário. Além disso, ela é geral e generalizante. Está nas partes porque está no todo, isto é, na sociedade. 

domingo, 6 de outubro de 2024

7° DIA

 A droga é política. Seu uso é uma decisão, escolha, oportunidade, posição e situação. Necessidade de escolher entre uma variedade de produtos e ideologias. Uso individual com impactos coletivos. Impactos coletivos que influenciam individualidades. A droga é um fenômeno coletivo. Porque seu uso e consumo é socialmente produzido. Por tanto, político. No sentido, social do termo. No sentido de viver em sociedade e ter consciência dessa necessidade. 

sábado, 5 de outubro de 2024

6° DIA

 A droga como comportamento. Dentro a multiplicidade e possibilidades de comportamentos disponíveis. O uso da droga é uma prática ligada a interação social: produz e reproduz uma infinidades de comportamentos criados pela sociedade. O comportamento humano é orientado para a integração, reconhecimento e ressonância. Um comportamento considerado desviante por aqueles que não praticam. Um comportamento considerado normal para aqueles que fazem o uso. O comportamento é modificado de acordo com as condições sociais disponíveis. Os empreendedores morais criam as regras de comportamento. Assim, aquele que não respeitam essas regras são considerados anormais. Porém, só existe anormalidade porque as regras de normalidade foram criados por aqueles que consideram que existem uma forma correta de viver.  


p.s: O pânico moral criado a partir do uso das drogas. É o pânico criado sobre as modificações no comportamento humano. 

sexta-feira, 4 de outubro de 2024

5° DIA

 A droga como uma mercadoria que satisfazendo necessidades do estômago e imaginação. Uma possibilidade de troca de equivalentes: tempo de trabalho trocado por tempo de drogadição. Medida pelo capital de toxidade, embriaguez e adição. O uso da droga está sistematicamente organizado na sociedade capitalista. Mercadoria de baixo, médio e alto valor agregado. A droga precisa do trabalho humano para ser colocada em circulação. Para que a sua comercialização funcione a partir  da lei da oferta e procura. Aumentando e baixando os preços do produto de acordo com flutuações no mercado da droga. A droga faz parte de uma economia global de acumulação e concentração financeira. 


p.s: A droga como um capital. 

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

4° DIA

 A droga com elemento associativo. No sentido de produz lações sociais diante outras pessoas e instituições. Uma sociabilidade humana básica. A droga é um produto da experiência social construtora e construtor de individualidades e coletividades. Nesta perspectiva, a droga é uma interação social. Fruto das relações sociais (associativas). Ela mantém  e garante uma funcionalidade ou disfuncionalidade na sociedade. 


p.s: Neste sentido, a droga, é uma invenção da sociedade. 

quarta-feira, 2 de outubro de 2024

3° DIA

 A droga como uma reflexividade. Possibilidade de experimentar a liberdade individual diante estruturas sociais coercitivas, opressivas e institucionalizadas. Uma emancipação temporária de uma condição social. Momento de reflexão acuada, animada, empolgada e empolgante. Uma forma de acessar a humanidade por outros meios de outras conexões de sentidos e sensações. Construção coletiva de um grande processo de adicção. A reflexividade é uma condição criada pela modernidade tardia. Impõem aos indivíduos prazeres e sofrimentos no forma de doses de toxidade e reflexividade.  


p.s: a droga como uma fuga da realidade necessária a convivência social. 

terça-feira, 1 de outubro de 2024

2° DIA

 A droga como alienação ou uma  possibilidade de esquecimento. Um prazer para quebra a rotina e para produz descontinuidades no mundo da vida. Oferendo ao sujeito outras  modalidades do devir. Uma necessidade de buscar pela liberdade. Um estranhamento da realidade que produz efeitos sobre a consciência e corpo. Alteração dos estados cerebrais, atômicos e moleculares. Exagero e entusiasmos em pequenas, médias e grandes doses.  


p.s: prazer momentâneo para quebrar a rotina.