quarta-feira, 16 de outubro de 2024

17° DIA

 As drogas são pessoas e subjetividades. Pessoas e subjetividades são as drogas. O ser humano não deixa de ser humano ao fazer uso de substâncias psicoativas. Isso ocorre desde os primeiros passos da humanidade sobre o planeta. O que precisamos compreender ou tentar compreender é a complexidade da relação que humano estabelece com as representações subjetivas que faz de si. Ou seja, de sua personalidade, identidade, pertencimento, autenticidade, liberdade, desejo, alegria, satisfação, tristeza, prazer, dor  e etc. Dentro dessa complexidade a droga não pode assumir o lugar das pessoas. Afinal, quem faz o uso é a pessoa. Ela é sujeito da sua condição. É preciso considerar este aspecto básico da socialização com a droga. Os seres humanos criaram as drogas. E o contrário não é verdadeiro. 

Nesse enredo, a criação não supera o criador. As pessoas e suas subjetividades estão imersos em diferentes contextos de diversidades e desigualdades. O que produz diferentes experiências em relação ao uso de drogas. O que podemos perceber é que os padrões de comportamentos refletem condições sociais. Como classe, gênero, raça, escolarização, ocupação etc. O que também acabam reproduzindo outros marcadores sociais mais ou menos marginalizados. Mais ou menos estigmatizados. São processos sociais amplos e complexos. Formados a partir de redes sociais de interdependência de obrigações e contra obrigações. Nós, seres humanos, somos sujeitos da história. Orientamos nosso comportamento de acordo com circunstâncias que não necessariamente controlamos. Somos também governados por forças inconscientes. Porém, seria ingênuo, descartar a potencialidade e criatividade do agir humano que desde sempre se supera e propõem novas situações a partir de contextos aparentemente perdidos. Por isso, acredito, que precisamos se perder para conseguir encontrar por saídas. Procurando pelo devir. 

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