quinta-feira, 14 de novembro de 2024

46° DIA

 A droga como uma construção humana. Uma instituição criada por objetivos específicos de recreação, diversão, lazer e alegria. Uma instituição como qualquer outra. Constituída também por contradições e ambiguidades do comportamento humano. Assim como, suas misérias, decepções, frustrações, expectativas. Como uma promessa de uma boa vida. Um sonho realizado. Um pesadelo vivo. 

Afirmar que a droga é uma construção humana, é também atribuir ao ser humano a responsabilidade e respeito por aquilo que produz e é produzido, ou seja, a própria sociedade. Os seres humanos são construtores de instituições e constituídos por elas. As instituições existem para satisfazer necessidades e saciar prazeres. Os desejos da alma transfigurados em substância que alteram o funcionamento do cérebro e melhoraram ou pioram a performance social: a droga é produto da criatividade humana. Da agência e do potencial de agenciamento humano a partir de problemas oriundos da vida cotidiana. Construções humanas criam problemas humanos. 

Problemas humanos obrigam "novas" construções humanas. Qualquer tentativa de controle, disciplina, usos e abusos são de responsabilidade do ser humano (no sentido conceitual do termo). As entidades divinas, que fazem a mediação entre humanos e não-humanos. Entre a sobriedade e a drogadição. Entre o mundo dos vivos e os mundo dos mortos. São mediadores de processos criativos criados e desenvolvido por seres humanos. 

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