A droga como uma forma de acessar outros mundos. O mundo social rotinizado tem seus momentos de tédio, responsabilidades e obrigações. É um mundo com limites, opressões e sufocos. É preciso encontrar maneiras de driblar a monotonia das horas, dias, semanas e anos.
A droga é uma forma de construir outras realidades a partir de encontros compartilhados com as substâncias licitas e ilícitas. Socialmente, a característica da droga influência o acesso ao mundo fantasiado e cria fantasias para o mundo. Ou seja, uma ilusão sobre a rotina, um feitiço para quebrar a realidade do mundo rotinizado. Uma mágica ao alcance das mãos.
O uso da droga, socialmente falando, é uma forma de criar realidades para si a partir, ironicamente, da mesma realidade que sufoca. É um efeito placebo (ou não placebo) sobre a consciência. A tentativa de fugir da realidade é uma necessidade humana mais antiga que a própria humanidade. Seres humanos precisam "fugir" dos problemas com a intenção de aliviar a carga ou simplesmente, se divertir ( se distrair).
A criatividade é intrínseca ao comportamento. Por isso, é infinita a possibilidade de criar realidades e mundos. Existem várias formas de criar "realidades paralelas" ou "mundos alternativos". O uso de substância é uma delas. Talvez, uma das mais utilizadas. Assim como, a religião, ciência e a arte.
Nós, seres humanos, precisamos criar outros mundos. Outras possibilidades de estar no mundo. De existir e continuar existindo. Mas, os mundos criados não estão fora da realidade. Desejo, prazer e necessidade são estágios encontrados em ambos. Essa dupla forma de representar a realidade é uma das características da condição humana: criamos realidades para continuar vivendo a realidade. Mas, afinal, o que é a realidade? Pergunte a droga. Pergunte a Deus. Pergunte a ciência. Pergunte a si mesmo. Para mim, neste momento, a realidade é a vacuidade. Em outras palavras, a realidade é um "NÃO SEI".
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