quarta-feira, 13 de novembro de 2024

45° DIA

 O uso da droga como uma ansiedade. Uma forma de adiantar o futuro estando no presente. Vivendo o presente como se fosse o futuro. A ansiedade que atinge o sujeito a procura de segurança e conforto existencial. A droga como uma maneira de controlar sentimentos. Propondo pontos de fugas. Contornos de gatilhos emocionais, políticos e econômicos. Uma ansiedade que aprisiona ao mesmo tempo que possibilita um aprendizado sobre o passado. O uso da droga como fuga, um contorno, um controle sobre aquilo que não posso controlar. Um caos ordenado dentro de "ondas" e "círculos" de vícios: quero usar, não quero usar, preciso consumir, não preciso consumir, estou ansioso, já não estou ansioso. Preciso beber. Já não preciso mais beber. Porém, a ansiedade não termina. Ou melhor, a ansiedade se modifica a partir das perspectivas que tenho sobre ela. Vou viciado. Já não sou viciado. Preciso de álcool. Já não preciso de álcool. A necessidade e desejo que pulsa dentro de organismo programado a falhar. Vício imperfeito. Vida imperfeita. Efeito placebo e paliativo de dores que não passam. A ansiedade é uma droga. A droga da ansiedade. 

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