terça-feira, 3 de dezembro de 2024

65° DIA

 O uso droga como um conceito insuficiente para compreender a realidade. Um conceito que escapa à realidade dos fenômenos humanos. O conceito é uma ferramenta de análise. Que não necessariamente precisa ser usado para concluir ou fechar entendimentos. É da própria natureza do conceito apresentar determinadas  falhas e insuficiências em explicar realidades em movimento. 

 Considerar a droga como um conceito, é tentar oferecer a sociedade reflexões que podem (ou não) ser consideradas importantes para a conscientização sobre usos e abusos de substâncias. É da natureza da própria reflexão não chegar a conclusão alguma. Porém, as reflexões podem modificar práticas e práticas modificam as reflexões sobre antigas práticas. 

Digo prática no sentido de comportamentos em sociedade. Em outras palavras, a reflexão pode modificar comportamentos. A realidade escapa de qualquer conceito. E isto, é o possibilita o conhecimento desenvolver e avançar. A realidade nega o conceito. O conceito procura afirmar a realidade. A realidade volta a negar o conceito. Neste sentido, é possível perceber o pensamento em movimento. Tentando acompanhar o movimento da realidade. 

O uso da droga como uma realidade é um fato comprovado por usuários, dados, estatísticas, experiências, vícios e etc. Mas, o uso da droga como conceito é uma promessa da filosofia e ciências humanas. Ainda não entramos em consenso sobre as bases conceituais das drogas. Apesar de inúmeras tentativas de sínteses sobre o assunto.  

A arte é um campo do conhecimento que explora, ao meu ver, com maior profundidade a realidade das drogas. A arte deixa aflorar as potencialidades artísticas do usuário. A alteração do estágio de consciência é um ganha (ou perda) para a produção artística. Por fim, o conceito é válido. A partir do momento que respeito os limites das suas próprias limitações de sua tentativa de compreensão. Entender o uso de drogas é encarrar os limites do próprio entendimento sobre o que é uma droga. 

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