segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

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 O uso da droga como uma experiência do descontínuo. O descontínuo é um convite a inteligência. A reflexão sobre o objeto e sujeito a partir da experiência do descontínuo. Possibilita o conhecimento sobre a realidade do chamado "mundo das drogas". 

Conhecer a realidade é uma continuidade. A inteligência humana procura unir as partes de um todo. Dando um sentido aparente a uma totalidade chamado "mundo das drogas". Essa totalidade é o que torna o entendimento ou julgamento da realidade possível. Mas, a inteligência é limitada exatamente pela característica descontínua da própria realidade. Do próprio mundo. Essa descontinuidade está em movimento. Em constante transformação.

 Segundo Henri Bergson, "o movimento é sem dúvida a própria realidade, e a imobilidade é sempre aparente ou relativa." Pensar o uso de drogas como uma experiência do descontínuo, é considerar a inteligência do usuário diante a realidade que procurar esquecer e entorpecer. Sempre em movimento, a realidade descontínua do usuário é confrontado com a continuidade do mundo inteligível a sua volta entram em choque. Produzindo crises, conflitos e mudanças. Por isso, devemos considerar o caráter reflexivo do comportamento e práticas da drogadição. 

Buscar por uma continuidade, ou seja, por conceitos, julgamentos, preconceitos e estigmas  também é uma forma de limitar a compreensão da experiência, sempre em movimento, do uso de substâncias. Uma realidade que sempre nos escapa porque está em movimento. Em descontinuidade, o uso da droga é uma metáfora para o movimento da vida. Isto é, de existir.  

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