O uso de drogas como uma vontade de potência. Necessidade de transgredir o status quo. Eliminar temporariamente o tédio existencial. Não é fácil seguir uma vida e administrar as misérias humanas de uma existência sem sentido.
A transvaloração dos valores é uma hipótese que se realiza com a bebida. Estar embriagado é atingir um estágio aparentemente superior, alternativo, diferente e fugaz. Porém, a drogadição no geral, é uma forma de alcançar algo perdido.
Os remédios são vontade de potência de cura de enfermidades. As drogas são vontade de potência criativas, sociais e culturais. Possibilitam representar a realidade a partir de parâmetros singulares, particulares e individuais. As representações da realidade, também são uma necessidade humana fundamental da experiência humana.
Não é possível viver sem potência e representação. A vida precisa ser simbolizada em seus usos e desusos. Os comportamentos humanos são ambivalentes. Carregam a doença e a cura. A dependência e a autonomia. A escravidão e a liberdade. O sofrimento e o prazer. A tristeza e a alegria. Essa ambivalência nos torna humanos.
Somos carentes e necessitados. Procuramos preencher os vazios de nossas ausências e diminuir nossa carga de sofrimento. Já diria o outro, não existe respostas fáceis para questões complexas. Apenas reflexões que tentam de forma imperfeita, com a intenção de compreender a realidade, que sempre escapa ao entendimento. Porém, o vício é maneira de continuar buscando pelas respostas que, aparentemente não virão.
A vontade de potência é um meio de continuar. Seja qual for a mensagem que isso signifique. Talvez, não signifique nada mas, o que importa é continuar.
A droga não é um fim em si mesmo. Ela é uma mensagem sobre o desconhecido. Uma incógnita que se revela no vício e dependência. Uma incógnita que se revela nas próprias misérias humanas e sociais. O que importa é continuar.
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