segunda-feira, 25 de novembro de 2024

57° DIA

 O uso da droga como um trabalho, que exige do usuário dedicação, esforço, tempo e compromisso com a jornada. Uma forma de transformação do trabalho abstrato em trabalho concreto. A abstração de aprender a controlar os sintomas e a concretude em manter o controle sobre aquilo que não necessário pode ser controlado. Trabalhando com os efeitos no organismo. Aprendendo a curtir os efeitos. Desprendendo-se da realidade. 

A droga exige do usuário um trabalho socialmente orientado. É preciso saber trabalhar com os desvios, normas e sanções impostas pela sociedade. É preciso saber lidar com os empreendedores morais que classificam comportamento como adequados e inadequados. Isso requer habilidade, técnica e criatividade. Uma forma de trabalho que qualifica as mediações do usuário, sua droga e a sociedade. 

O trabalho na sociedade capitalista. É sempre uma forma de exploração. Explora-se o tempo de vida do trabalhador e o transforma em mais-valia. O usuário também é explorado a partir do vício. Explora-se seu tempo de vida. O trabalho na sociedade capitalista é marcado pela contradição fundamental entre capital e trabalho. A exploração valoriza o capital na medida proporcional em que desvaloriza o trabalho. Ou seja, é a pessoa que acaba sendo desvaloriza no seu ofício operário.

 Com a droga é uma contradição diferente. Ao valorizar a droga. O usuário de desvaloriza na sua humanidade. É uma relação ambígua. Essa relação de ambiguidade produz frustração, revolta, consciência, superação etc. É a partir dela que o usuário pode tomar consciência do seu lugar no mundo. Do seu lugar na luta de classes. Do seu trabalho de transformação.

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