O uso da droga como uma tentativa de controlar o tempo. Uma forma de ter o controle (impossível) da subjetividade produzida pelos encontros entre pessoas e substâncias. Porém, o tempo passa. As horas voam. Estar sóbrio é perceber o tempo passar de forma mais cadenciada. Para não dizer, lenta.
A droga dilata as dimensões do tempo. A empolgação com mais uma roda. A alegria em pedir outra saideira. Depois de várias outras. Usar drogas é um movimento temporal. Um movimento existencial. De modo que, a tentativa de controlar o tempo, é uma tentativa de controlar a vida. Ou, de perder o controle do tempo. E de perder o controle sobre a vida.
Em outras palavras, distrair-se temporariamente da sua condição humana. Esquecer que existe. Se esquecer. Atingindo outros estágios de contemplação da vida. Um momento para ser contemplado. Uma vida para ser admirada. Uma droga a ser usada. Contemplar, admirar e usar: uma tríade do tempo.
O usuário é alguém que contempla e admira. Faz da vida aquilo que a vida faz dele: sofrimento/prazer; prazer/sofrimento. São ciclos temporários que se abrem e fecham. Abertos para trazer prazer e fechados ao sofrimento. Fechados ao prazer e abertos ao sofrimento. Ou seja, são ciclos temporais incontroláveis e imprevisíveis. Entendo isso, como uma forma de lidar com o vício.
A partir dessa perspectiva, o vício pode ser entendido como ciclos temporários pelos quais o usuário sociabiliza e é sociabilizado durante os períodos de uso e abstinência. Entramos numa dimensão de difícil resolução. Afinal, o tempo e o uso de drogas são agências humanas distintas e semelhantes. Possuem uma dimensão subjetiva e uma dimensão objetiva. Porém, ambas são construídas de acordo com as circunstâncias das relações sociais envolvidas. O tempo é relativo. Assim como, o uso de drogas. Ambas, mudam conforme o ponto de vista. Por fim, da perspectivas de quem usa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário