quarta-feira, 20 de novembro de 2024

52° DIA

 O uso da droga como educação. Uma maneira de aprender a viver a partir do vício. De um vício associado ao aprendizado. A educação é uma relação com múltiplos fatores, que coagem as pessoas a pensarem, agirem e sentirem seus limites, suas negações e suas potencialidades. 

A multiplicidade do mundo que cabe dentro em dose. A pluralidade de acontecimentos possibilitado pelo uso de substâncias que tornam suportável e admirável a realidade. Em outras palavras, podemos dizer que são elementos básicos e necessários da sociabilidade humana. Estamos aprendendo a usar drogas. Aprendendo sobre limites e possibilidades da vida continuar se transformando. Se modificando. Se educando. 

O usuário é educado pela droga. Aprende, de certa forma, um alfabeto da drogadição. Aprende as silabas, consoantes, sujeitos, verbos e objetos daquilo que consome. As pessoas estão aprendendo a viver. Estão em constante processo de criação, desenvolvimento e criatividade. A vida muda em cada gesto, palavra e sentimento. Em cada dose. 

No uso controlado de remédios, a esperança da cura ou a possibilidade de viver com a doença. Talvez, de tornar a doença menos agressiva, menos violenta.

Não sabemos. Estamos aprendendo a conviver com nos mesmo e com os outros. A educação é algo que ocorre em sociedade. Por isso, é importante levar em consideração a consciência coletiva. A consciência que habita na individualidade. E a individualidade que habita na consciência. A droga é uma probabilidade de educar sujeitos e sociedades: para o bem e para o mal. E para os dois.  

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