quinta-feira, 28 de novembro de 2024

60° DIA

 O uso da droga como disciplina. Entendida a partir de causas e efeitos de escolhas, situações e acontecimentos. Causas incontroláveis que surgem a partir de eventos, encontros e desencontros. Efeitos inconsciente de comportamentos, expectativas e imponderáveis. A disciplina é uma normatividade exigida conscientemente pela sociedade. Não é algo que se busca. É algo desejável. Necessário a convivência. Uma instituição que representa a consciência moral e social da realidade. Também é algo que se perde. Porém, a disciplina permite formas de negociações entre pessoas e instituições. As pessoas não estão totalmente disciplinas por instituições. E as instituições não conseguem disciplinar totalmente as pessoas. É uma relação contraditória. 

A disciplina é um sistema aberto e fechado ao mesmo tempo. Fruto da sociabilidade, a disciplina exige engajamento, agência e ação prática sobre o mundo. A disciplina que se torna corpo. O corpo de se torna uma habilidade a ser utilizada. A disciplina e habilidade do corpo como uma técnica corporal. 

Em outra palavras, disposições de comportamento refletidos e irrefletidos denominados de habitus. O uso da droga como um habitus socialmente construído a partir de estruturas estruturadas e estruturas estruturantes. Em resumo, a droga estrutura o usuário. E o usuário é estruturado pela droga. Ou o usuário estrutura a droga e, a droga é estruturada pelo usuário. O que observamos na sociedade é: pessoas com disposição a consumir baixo, médio e alto nível de substâncias. Isso, não necessariamente, é uma regra. Porque os níveis de drogas são contingenciadas dentro de contexto de usos e disposições culturais do usuário. O que podemos encaminhar é tentar analisar as experiências pessoais de consumo e relaciona-las com as experiências coletivas. Tentando compreender a complexa relação do usuário com a sociedade e da sociedade com o usuário. 

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