O uso da droga como uma postura ética. Como uma escolha ética entre aquilo que me afeta e pode afetar a terceiros. A liberdade do usuário de agenciar o seu comportamento. A possibilidade da avaliação entre o certo e errado a partir de padrões éticos de escolhas e renuncias. É preciso dizer, sim. Também é preciso dizer, não.
São escolhas éticas impostas a qualquer ser humano. A ética diz respeito ao uso e o uso diz respeito a uma ética. A ética do usuário é de sua responsabilidade, porém, as consequências de seus comportamentos são sentidos por toda a sociedade.
Por isso, para o bem e para o mal, a droga é um fenômeno gerado e produzido pela sociedade. Dessa forma, mesma sociedade que oferece a droga. Também condena o seu uso. Mas, não é toda a droga que é criminalizada, marginalizado ou estigmatizada. As drogas são componentes fundamentais para o funcionamento das instituições sociais. São legitimas, quando não modificam de forma significativas o funcionamento da sociedade. São ilegítimas, quando por critérios políticos, morais e éticos, são uma ameaça ao status quo da ordem social.
A ética da sociedade é confrontada com a ética do usuário, que reivindica seu direito ao uso. A ética da sociedade é aliado com a ética do usuário, quando é reivindicado o cura de uma doença ou a diminuição de um sofrimento. Dessa forma, a ética é contraditória e ambivalente porque ao mesmo tempo em que protege, também condena.
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