quinta-feira, 7 de novembro de 2024

39° DIA

 A uso da droga como uma forma de continuar vivendo ao mesmo tempo em que se caminha para a morte. O uso da droga como uma forma de morrer ao mesmo tempo em que se preocupa em viver. A vida é um breve intervalo entre a nascer, viver e morrer. 

Ela está marcado por usos e abusos de coisas, substâncias, sistemas e da natureza. O ser humano é parte do todo. Este todo chamado de cosmo, natureza, sistema ou natureza. E onde os seres humanos descarregam suas frustações. Onde procuram por satisfações. São alegres e tristes. Tristes e alegres. Entram em conflitos. Brigam e fazem as pazes para brigarem novamente. Há uma trégua. Um respeito. Um afastamento. Depois, volta tudo. As brigas, conflitos, acertos e erros. 

A vida é um intervalo entre um efeito de drogadição e o retorno a lucidez. A lucidez como drogadição não possui o mesmo efeito químico, biológico e social. E deveras racional. O uso da droga não necessariamente é algo realizado para ficar lucidez. Pelo contrário, a busca é por outros estágios da consciência.

 A vida é um processo de consciência sobre a finitude chamada de morte. A morte é um processo de consciência sobre o final. A droga é uma passagem entre mundos. Estar sóbrio ou estar drogado são contradições complementares e interdependentes. A metáfora da vida e morte também revela este enigma. 

A vida e a morte são contradições complementares e interdependentes. Não se trata em comparar sobriedade com a vida ou a drogadição com a morte. Sugiro uma leitura mais detalhada da realidade do ser humano que faz uso de drogas. Ele, não necessariamente está querendo morrer. Pelo contrário, reafirma a vida em cada porre, dose, trago, carreira etc. Estar garrado no uso de drogas é uma reafirmação da morte. Uma tentativa de encontrar uma forma de cuidado, consolo e alívio. Ou simplesmente, viver. 

Ao nascer estamos condenados a encarar a negação da vida que se chama morte. Eis o mistério a ser resolvido. 

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