O uso da droga como uma luta solitária, que batalha em alguns momento a favor da solidão. Em outros, contra. Uma solidão dividia e compartilhada. Na tentativa de encontrar uma completude negada. Ou, a positivação de convicções e verdades temporárias, cristalizadas nas experiências de drogadição.
Uma luta por reconhecimento. Uma luta pela afirmação e por ser percebido. A solidão que acompanha a condição humana. Não estamos sozinhos. Sim, estamos sozinhos. Talvez, estamos completos na solidão de cada um. Sozinhos em um nós.
A droga é uma tentativa de diminuir ou aumentar as fronteiras da existência. Diminuir a solidão compartilhada. Uma luta contra si mesmo. Uma luta a favor de si mesmo. Uma solidão transformada em engano. Um engano transformado em solidão. A droga em si, não é um engano. O engano é um sentido atribuído pela ação humana. Talvez, não seja engano, considerar que a busca por sentido é uma prática humana básica. Uma forma de administrar as contradições de uma vida. De uma vida contraditória. Uma forma de continuar sobrevivendo.
O usuário está sozinho em sua luta por reconhecimento social. Reconhecer que minha condição de usuário não pode se sobrepor sobre minha condição de humano. Todo usuário é um humano. O humano é um usuário. Somos reféns da solidão. Reféns do vício. Reféns da vida. Reféns de um luta por se tornar aquilo que desejamos ser: uma completude incompleta. Uma solidão completa. Uma completa solidão.
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